Rubem Alves
Educador, escritor e teólogo
A literatura é um processo de
transformações alquímicas. O escritor transforma - ou, se preferirem uma
palavra em desuso, usada pelos teólogos antigos, “o escritor transubstancia” –
sua carne e seu sangue em palavras e diz a seus leitores: “Leiam! Comam! Bebam!
Isso é a minha carne. Isso é o meu sangue!”. A experiência literária é um
ritual antropofágico. Antropofagia não é gastronomia. É magia. Come-se o corpo
de um morto para se apropriar de suas virtudes. Não é esse o objetivo da
Eucaristia, ritual antropofágico supremo? Come-se e bebe-se a carne e o sangue
de Cristo para se ficar semelhante a ele. Eu mesmo sou o que sou pelos
escritores que devorei... E se escrevo é na esperança de ser devorado pelos
meus leitores.
Nossa, gostei muito desse texto, fazendo uma analogia da antropofagia, com a eucaristia e o autor que cria seus livros para serem devorados pelos seus leitores. Parabens pelo post !
ResponderExcluirNossa muito legal a analogia feita pelo autor quando compara a leitura com antropofagia e a eucaristia, mostrando que o escritor ao criar suas obras tem como intuito ser devorado pelo o leitor. Parabens !
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